Cães, gatos e uma polêmica sobre alergiasReportagem publicada na revista Veja, em 04 de setembro de 2002
Estudo americano contraria teses consagradas sobre a presença de animais em casaUm estudo publicado na semana passada no Jornal da Associação Médica Americana faz balançar alguns conceitos normalmente aceitos sobre alergias e animais. Crianças que convivem com dois ou mais animais de estimação em seu primeiro ano de vida podem ter até menos probabilidades de desenvolver alergias do que aquelas que não têm bichinhos em casa, afirma o estudo realizado no Instituto de Alergias e Doenças Infecciosas e no Instituto de Ciências da Saúde Ambiental dos Estados Unidos. O coordenador do trabalho, Dennis Ownby, acompanhou 474 crianças desde o nascimento até completarem 7 anos. Ele encontrou evidéncias de que bactérias presentes nos animais domésticos não deixam que o organismo desenvolva sensibilidade a substâncias que causam alergia, como pêlos de cachorro. Boa parte das crianças estudadas tornou-se imune à alergia a animais e também a alergias comuns, como ao pó e à grama. "Precisamos de mais estudos que confirmem a tese", afirma Maria de Fátima Marcelos Fernandes, presidente regional paulista da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia. Ela destaca que o princípio que rege a alergologia é o oposto. "Quanto mais precoce e maior o contato de quem tem tendência a ter alergia com um fator irritante, maior o risco de esse organismo desenvolver a alergia", explica. A peça que falta à teoria de Ownby é determinar exatamente a quantidade certa de exposição da criança aos fatores alérgenos para que o organismo não desenvolva a alergia e se torne imune aos fatores irritantes. Por isso, alertam os médicos, ninguém está autorizado, ainda, a botar o cãozinho junto do bebê para iniciar a imunização. |