A influência da companhia de animais na saúde humanaRetirado do site da Sociedade Portuguesa de Antrozoologia - www.anthrozoo.org
O conceito de saúde humana é demasiado abrangente para ser definido apenas pela ausência/presença de doença. De fato, a sensação de bem-estar deve ser considerada, de tal modo que a integração de todos os fatores possa ser avaliada através da qualidade de vida. De uma forma breve e resumindo um assunto que desde a Antiguidade serve de tema a diversos estudos de carácter médico, sociológico e psicológico, podemos considerar: Efeitos Fisiológicos e PsicológicosUm dos efeitos melhor conhecidos refere-se à diminuição dos valores de tensão arterial, registados em pessoas sujeitas a "stress" moderado e na presença de cães amigáveis. É igualmente conhecido o efeito relaxante resultante da observação de peixes expostos em aquários adequados. De fato, podemos observá-los em salas de espera de alguns consultórios, com realce para os de odontologia.
O efeito ansiolítico produzido por estes animais deu oportunidade à realização de variados trabalhos. Assim, comparou-se a quantidade de exercício praticada por responsáveis por cães e outros indivíduos, do mesmo escalão etário mas sem animais, concluindo-se que, relativamente aos primeiros, existia um nítido benefício físico e psicológico. Do mesmo modo e em circunstâncias semelhantes foi igualmente registado um decréscimo de comportamentos anti-sociais em grupos de jovens com perturbações emocionais. Estes e outros estudos demonstram claramente a relação positiva entre a presença de um animal de companhia e o comportamento e estado geral tanto de indivíduos saudáveis como dos mentalmente perturbados. Desenvolvimento SocialVerificou-se que as crianças educadas no seio de uma família que tenha optado ser responsável por animais de companhia, apresentavam uma melhor comunicação não-verbal, maior popularidade e competência social assim como níveis mais elevados de auto-estima. De fato, os tradicionais animais de companhia desempenham um papel insubstituivel ao servirem de confidentes, de companheiros de brincadeiras e jogos e ao dispensarem o seu incondicional afeto eles actuam positivamente no desenvolvimento da criança. É igualmente importante mencionar o efeito benéfico e calmante proporcionado pela pelagem do animal que ao tato se assemelha às texturas reconfortantes.
Mais ainda, foi demonstrado que atos de crueldade praticados por crianças em relação a animais constitui um indicador seguro não só da vivência em ambientes domésticos onde prevalecem diversas formas de violência, como à certeza de mais tarde esse indivíduo vir a ter um comportamento criminoso. Pensa-se que é possível reduzir os níveis de criminalidade e de comportamentos anti-sociais em jovens através da convivência com animais. O Auxílio dos AnimaisOs efeitos humanizantes derivados da companhia dos animais foram observados por William Tuke, um Quaker progressista dos finais do século XVIII. Desde então e devido aos sucessos alcançados pelos doentes mentais dessa instituição de York, no norte de Inglaterra, outros estabelecimentos dedicados à psiquiatria encontraram em diversas espécies animais, com especial relevo para os cães, um inestimável apoio terapêutico. Nos anos 60, Boris Levinson estabeleceu o conceito de psicoterapia facilitada por animais. A ideia foi desenvolvida por Corson e colaboradores e presentemente, os países desenvolvidos (USA, Reino Unido, França, por exemplo) empregam animais, neste tipo de auxílio aos doentes. Os exemplos que poderiam ser empregues para ilustrar este ponto são inúmeros, derivados de mais de dois séculos de experiência. Apesar do desenvolvimento tecnológico o trabalho desempenhado pelos cães guia é bem conhecido e apreciado, muito em especial pelos invisuais. De igual modo, embora menos conhecido, o precioso contributo prestado por cães especialmente treinados para auxiliarem indivíduos com problemas motores, quer estejam acamados quer confinados a cadeiras de rodas, demonstra quanto a companhia de uma animal pode ser benéfica. Estes cães são treinados para apanharem objetos do chão, irem buscar objetos, e inclusive, fecharem portas, apagarem a luz e darem o alerta quando existem alterações do estado de saúde do seu "protegido" humano. O grau de confiança que os indivíduos nesta situação experimentam devido ao apoio prestado pelo cão é notório e significativo, devendo servir de incentivo e estímulo a que um maior número de cães seja treinado e mais instituições apoiem este tipo de programas. Agradecemos a Dra. Maria Webb, da Sociedade Portuguesa de Antrozoologia, por ter nos autorizado a reproduzir este texto. |